Temos nosso próprio tempo.

have—not:

 


Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. 


Eu quero você.
Aqui ou aí.
Agora e pra sempre. 


É tão bom ter certeza. A certeza de que você ainda está aqui. A certeza de que eu tenho o abraço mais esperado do seu dia. Que você quer me colocar nos seus planos. A certeza de que ainda pensa em mim antes de dormir e que algumas vezes fica com raiva por estar com tanta saudade. A certeza de que você me quer ao seu lado o resto de nossas vidas. Mas acredite, eu tenho a melhor das certezas: você.
Você nunca foi dúvida porque você sempre foi amor. 


Vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão. 


Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no ano novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante, e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de ano novo e pra falar: “Que cê acha amor?”. Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua. Se você for chata, suas amigas perdoam. Se você for brava, suas amigas perdoam. Até se você for magra, as suas amigas perdoam. Mas… experimente ser amada. 


Para quem está com os sonhos caindo aos pedaços, com o coração cansado e quebrado; você não está sozinho. Aquele que acalmou a fúria dos mares, é o mesmo que colhe suas lágrimas. A voz que traz vida aos mortos é a mesma que fala ao seu coração. Escute-o. Essa é a voz que te leva de volta para casa. As mãos que estão estendidas para você são as mesmas marcadas pelos cravos. Você não está sozinho. Aquele que devolveu a visão aos cegos é o mesmo que coloca esperança no seu olhar. Com o mundo desmoronando, nos braços de Deus encontrará abrigo, estará seguro. As mãos que seguram o mundo são as mesmas que seguram o seu coração. 


O ser humano não espera o pior. Nunca espera a dor, nunca espera a morte. O ser humano não espera as más notícias, não espera o sofrimento, não espera pelas lágrimas. Nós nunca esperamos que o pior venha a acontecer. O ser humano acha que o tempo é infinito, que nada é perecível. Temos o costume de acreditar em chances incontáveis, seres eternos, dias inacabáveis. Esperamos uma segunda oportunidade, quando poderíamos fazer valer a primeira. Aguardamos pelo próximo dia, pelos cinco minutinhos seguintes. Nós nunca acreditamos no poder que tem um segundo, um dia, uma semana. Tudo, inclusive nada, pode acontecer em um piscar de olhos. Um teto que desaba, um carro em alta velocidade, um choque, um tiro. E tudo se vai tão rápido como veio. E todos se vão, se consomem em choro, como vieram. Foi-se o tempo, foi-se a hora, fica o susto, o medo, a dor. Porque o ser humano espera por flores e não espinhos. Mesmo sabendo que nada dura para sempre, o ser humano quer acreditar que dura. Quer adiar a vida, o fim de semana, a taça de vinho. Não ficamos nunca satisfeitos ao ver o fim. O fim é trágico, é acompanhado do sabor azedo daquele momento perdido, da oportunidade deixada, das coisas não feitas e mal feitas, dos carinhos não dados, do cuidado não tomado. Nós não nos conformamos com a partida. Esperamos pela chegada. E quando não há mais volta? O ser humano enlouquece. Enlouquece porque não sabe aceitar o fim, ao mesmo tempo em que deseja cessar a tristeza. A verdade é que tudo passa. Tanto o tempo, quanto as dores. Tudo passa, o ser humano é quem tem mania de acreditar que tudo fica.